14

dez

2011

A voz da maturidade

Por Tati Aoki em Corpo, Pensar, Saúde

Fui a uma festinha de confraternização do local em que faço pilates, no meio da tarde. E, entre cerca de 40 pessoas, eu era a única dos alunos com menos de 60 anos.

“Os mais jovens estão na academia”, disse uma das alunas, com seus mais de 70 anos.

Não desmerecendo a academia, afinal, já fiz esteira por alguns meses e até que não foi tão chato assim, mas…Será que seu corpo-mente aguenta, por muitos, muito anos, fazer movimentos mecanizados em aparelhos que mais parecem instrumentos de tortura?

Embora “os jovens” estejam suando em esteiras e academias, a verdade é que os mais velhos têm muito a nos ensinar – e um desses ensinamentos é que, nem sempre, os movimentos vigorosos são os que te farão sentir prazer em atividades físicas. Às vezes, movimentos leves, porém precisos e prazerosos, são os que te darão motivação para exercitar-se independente da faixa etária.

Se me senti excluída no meio de pessoas bem mais velhas em uma festa que só conhecia o professor? Pior que não, porque os idosos (assim como as crianças), têm a tendência a eliminar o tal do ego e, por isso, não têm o menor pudor em puxar papo e falar de qualquer assunto com uma leveza sobrenatural – ao contrário de jovens, adolescentes e adultos, mais influenciáveis pelo que “os outros” irão pensar.

Temos que aprender com a sabedoria e a experiência do idoso. Eu não tenho mais avós, mas, se tivesse, não perderia a oportunidade de longas conversas com a voz da maturidade.

4 Comentários

7

dez

2011

To give or to receive?

Por Tati Aoki em Holística, Mente, Pensar

From the movie Lost in Translation (2003)

Artists and famous people are used to say that they have no privacy and so on. But in the other hand, they are also the ones that love the flashlights from paparazzi whenever they can. So, in some way, eveyone wants to be found, like it is said in Lost in Translation.

This makes me think that the fact that you are not forgotten and not anonymous makes you feel part of the world. And then, Mark Zuckerberg created Facebook, probably thinking that anonymous people wanted to be a celebrity, even if it is only between their 500 friends.

And everyone exposes their best phrases, bodies, pictures, songs, videos. Yeah, we want everyone to Like your life, even if it is miserable after turning off the computer – which is becoming even more difficult now, because people tend to not disconnect at all after Smartphone and their check-ins in Foursquare or Facebook Places.

So, the feeling of emptiness, of the absence of Likes, makes us seeing our reality that, maybe, we are having the same disease as the 15-minute celebrities: we want to be exposed in any circumstance – well, it would be ideal if it is just in our beautiful pictures, trips and clever phrases collected somewhere in the web.

That is why we feel so empty. We gave too much of ourselves into things that are not going to make us a better person. We have this Western tendency to give feelings, emotions, like everyone would like to receive it. Maybe they want, but you do not need to give what you do not have – if you don’t have any inner love, how could you share it? Someone would say the love is the meaning of life. But if you don’t have it, what can you do? Pretend that you have and make a huge effort to expose on social media again?

Maybe it is time to protect ourselves from being exposed, because it can be too late, and we will be acting like the 15-minute celebrity – if we are not already acting like that.

Save some of yourself to give your best from those who really deserves your best.

Comente

2

dez

2011

Silêncio de fim de ano

Por Tati Aoki em Mente, Pensar, Saúde

Procurei no Google e fiquei com vontade de ver esse filme, “Silence” (Chinmoku), de 1971.

Numa das eternas confraternizações que perdurarão até o fim de 2011, tento, em vão, conversar sobre medicina Ayurveda e veganismo com uma garota sentada em minha frente na mesa lotada de pessoas que não conheço. O barulho ensurdecedor de embriagados, músico ignorado ao violão tocando “Have you ever see the rain”, barulhos de copos e da chuva torrencial do lado de fora estavam praticamente me dando uma náusea. Era tanto mal estar que preferia ficar lá fora, sorvendo a fumaça do tabaco alheio.

2 da madrugada. Volto para casa. Um silêncio como nunca se ouve na cidade que nos deixa loucos, surdos e insensíveis, tudo ao mesmo tempo. Meu gato, todo serelepe e sem perceber o quanto estava desgastada, resolve brincar comigo de me morder, um de seus passatempos favoritos.

Pude ouvir o som dele abrindo a boca, do barulho do ar quando ele movia suas patas para me arranhar e de alguns grunhidos bem baixos que ele faz enquanto se diverte. Nunca, em oito meses, havia ouvido tais sons.

Escrevo isso enquanto um barulho ensurdecedor, envolvendo britadeiras, pedras sendo quebradas e mais um monte de prédios construídos em volta do meu lar vão desconstruindo minha capacidade de, simplesmente, vivenciar o silêncio. Não consigo ouvir sequer o som de meus pensamentos.

Onde está o silêncio? Gostaria de encontrá-lo antes que o ano acabe.

Words are very
Unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence…

(Depeche Mode)


(Versão ao vivo do Depeche Mode)

Comente

24

nov

2011

Onde dói?

Por Tati Aoki em Corpo, Mente

Após uma entrevista (sente mais frio ou calor? Gosta ou não de comidas doces?, entre outras), deito na maca e começo a sentir pequenas picadas, de agulhas furando meu corpo. É acupuntura.

-    Neste ponto, vai direto para descansar a mente – diz a médica.

Uma agulha é inserida ali, bem no meio da minha testa. Há uma dor diferente das outras perfurações: ali, aquela pequenina dor, eu não queria sentir, algo me dizia que não poderia suportar. Ela remove a agulha, e a insere no topo da cabeça. Consigo suportar essa nova dor e relaxo.

Existem dores e dores. Dores que você até gosta de sentir e outras que você não consegue suportar. Gosto daquela dor de massagem, quando apertam no ponto mais dolorido; no entanto, há dores, como aquelas perfurantes, que você simplesmente não suporta.

Ou dores psicológicas – aquelas que, se você mexer, vai doer mais do que qualquer dor física.

…Qual é a sua pior dor?

3 Comentários

16

nov

2011

A vida na cidade nos domina?

Por Tati Aoki em Cidadania, Corpo, Mobilidade

Acabo de almoçar no Centro Cultural São Paulo e apanhei, apressada, a nécessaire para escovar os dentes e retomar o trabalho/estudo (sim, estudar e trabalhar dá um desgaste mental que só quem o faz sabe o que estou falando).

Olho umas imagens expostas do Will Eisner, que está em cartaz com a exposição “Espírito Vivo de Will Eisner”, no CCSP. A exposição do desenhista/escritor de quadrinhos é excelente, e contém algumas frases do autor. Ele diz:

“O povo das cidades sempre me pareceu um tanto especial nos hábitos e estilos. Acho que a vida dentro das grandes cidades afeta a sensibilidade básica e influencia o caráter da conduta do homem de tal modo que afirma a vitória do ambiente sobre todos nós” (1989)

Sobre a família:

“Famílias são em geral fisicamente indistinguíveis uma das outras (…). Seus núcleos são mantidos por uma atração magnética que as vezes não parece ser nem de amor nem de fidelidade” (1998)

As frases são fortes, mas me senti envolta por elas. Como se, de fato, a cidade tivesse me devorado e me sinto vítima das circunstâncias: do trânsito, da violência, da indiferença, da pressa. Meu cérebro e meu corpo devem acompanhar o ritmo alucinado de São Paulo, sob a penitência de ser arrastada pela multidão que quer embarcar no metrô e chegar em casa LOGO para ver TV rapidamente, dormir e começar tudo de novo.

Quem vive em grandes cidades perde totalmente a noção dos ritmos da natureza, da natureza humana, negando-a, veementemente. Negamos nossos pequenos prazeres, nossas vontades animais e naturais – como comer, dormir e sexo – e as trocamos por outras – vícios, jogos, pressa, violência, consumismo. Uma forma de controle ao sabor de nosso sistema social e político, cujo discurso, implícito, é:
- se você sente prazer em comer, quem vai consumir nossos produtos de dieta?
- E, se você faz sexo em vez de comprar e comprar, como faremos para vender nossa publicidade sexualizada?
- Mas, e se você quiser dormir em vez de jogar games, como venderemos mais e mais?

Trocar essa energia eletrizada das grandes cidades pelo campo, por exemplo, nos fará retomar esse ritmo biológico que está aí, gritando dentro de você, para que você durma, coma e etc – ele sabe o jeito saudável de fazer tudo isso.

Vá para o campo de vez em quando, ou sempre. A cidade quer te devorar – se já não o fez.

Comente