Posts da categoria ‘Saúde’

14

dez

2011

A voz da maturidade

Por Tati Aoki – 4 Comentários

Fui a uma festinha de confraternização do local em que faço pilates, no meio da tarde. E, entre cerca de 40 pessoas, eu era a única dos alunos com menos de 60 anos.

“Os mais jovens estão na academia”, disse uma das alunas, com seus mais de 70 anos.

Não desmerecendo a academia, afinal, já fiz esteira por alguns meses e até que não foi tão chato assim, mas…Será que seu corpo-mente aguenta, por muitos, muito anos, fazer movimentos mecanizados em aparelhos que mais parecem instrumentos de tortura?

Embora “os jovens” estejam suando em esteiras e academias, a verdade é que os mais velhos têm muito a nos ensinar – e um desses ensinamentos é que, nem sempre, os movimentos vigorosos são os que te farão sentir prazer em atividades físicas. Às vezes, movimentos leves, porém precisos e prazerosos, são os que te darão motivação para exercitar-se independente da faixa etária.

Se me senti excluída no meio de pessoas bem mais velhas em uma festa que só conhecia o professor? Pior que não, porque os idosos (assim como as crianças), têm a tendência a eliminar o tal do ego e, por isso, não têm o menor pudor em puxar papo e falar de qualquer assunto com uma leveza sobrenatural – ao contrário de jovens, adolescentes e adultos, mais influenciáveis pelo que “os outros” irão pensar.

Temos que aprender com a sabedoria e a experiência do idoso. Eu não tenho mais avós, mas, se tivesse, não perderia a oportunidade de longas conversas com a voz da maturidade.

2

dez

2011

Silêncio de fim de ano

Por Tati Aoki – Comente

Procurei no Google e fiquei com vontade de ver esse filme, “Silence” (Chinmoku), de 1971.

Numa das eternas confraternizações que perdurarão até o fim de 2011, tento, em vão, conversar sobre medicina Ayurveda e veganismo com uma garota sentada em minha frente na mesa lotada de pessoas que não conheço. O barulho ensurdecedor de embriagados, músico ignorado ao violão tocando “Have you ever see the rain”, barulhos de copos e da chuva torrencial do lado de fora estavam praticamente me dando uma náusea. Era tanto mal estar que preferia ficar lá fora, sorvendo a fumaça do tabaco alheio.

2 da madrugada. Volto para casa. Um silêncio como nunca se ouve na cidade que nos deixa loucos, surdos e insensíveis, tudo ao mesmo tempo. Meu gato, todo serelepe e sem perceber o quanto estava desgastada, resolve brincar comigo de me morder, um de seus passatempos favoritos.

Pude ouvir o som dele abrindo a boca, do barulho do ar quando ele movia suas patas para me arranhar e de alguns grunhidos bem baixos que ele faz enquanto se diverte. Nunca, em oito meses, havia ouvido tais sons.

Escrevo isso enquanto um barulho ensurdecedor, envolvendo britadeiras, pedras sendo quebradas e mais um monte de prédios construídos em volta do meu lar vão desconstruindo minha capacidade de, simplesmente, vivenciar o silêncio. Não consigo ouvir sequer o som de meus pensamentos.

Onde está o silêncio? Gostaria de encontrá-lo antes que o ano acabe.

Words are very
Unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence…

(Depeche Mode)


(Versão ao vivo do Depeche Mode)

5

jun

2011

Ginástica para o corpo e a mente

Por Tati Aoki – Comente

Eu e minha gatinha, lânguidas, tomando sol de inverno da manhã e nos espreguiçando por uns 15 minutos, é uma cena matinal cotidiana.

Esqueci que, de um ano para cá, demoro cada vez mais para começar o dia de fato. Se tenho um compromisso às dez, tenho que acordar, no mínimo, às sete. Isso porque, antes, executo as seguintes tarefas – não necessariamente, mas preferivelmente, nesta ordem:

-    Arrumo a cama;
-    Tomo banho;
-    Alongo e faço trabalhos de reconhecimento corporal;
-    Medito.

Só depois que me visto, tomo café da manhã, escovo os dentes e saio de casa. Se acordo e pulo as etapas de meditação e alongamento, por exemplo, meu dia começa incompleto e, de certa forma, estranho.

E a preguiça?
Você tem que se conhecer a ponto de identificar quais partes do corpo quer trabalhar no dia que começa: são os pés? Os braços? A pélvis? O pescoço? Ao identificar, seu corpo automaticamente começa a responder aos exercícios, e o mesmo se dá pela meditação: não precisa ficar em posição de lótus para meditar. Pode ser sentado, em pé, deitado. Não há regras, e sim exposição aos sentidos.

Às vezes minha gatinha quer participar da ginástica e eu permito, embora isso me distraia um pouco. Mas quando chega a meditação, por algum motivo, ela espontaneamente pede para sair do meu quarto.

Sim, a natureza é sábia.

5

mai

2011

Antiginástica e consciência de si

Por Tati Aoki – Comente

Li um livro sobre antiginásticaO Corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, a criadora da modalidade – e fiquei absolutamente vidrada. Quero praticar, mas por enquanto estou em dúvida entre a antiginástica e pilates, principalmente pelo valor – antiginástica consegue ser mais caro do que pilates, que já é caro. Tenho o mês de maio para decidir qual será a nova prática na busca pela conexão corpo e mente.

Antiginástica, que ainda não comecei a praticar, mas fiz alguns exercícios por conta, nada mais é do que movimentos bem lentos – mais lentos do que a yoga e o tai chi chuan – que fazem com que você sinta quem é esse corpo que habita em você. Com a prática, consegui perceber, por exemplo, quais os pontos do meu corpo tocam o chão com mais força quando me deito, dentre outros detalhes de sentir-se morando em seu próprio corpo. Eis o trecho do livro que mais me marcou:

“Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar bastante faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva. Assim, acabamos “bancando o morto”, como se nossa maior preocupação fosse a de sobreviver até que o perigo – viver! – tenha passado. Triste paradoxo. Sinistra armadilha da qual não procuramos escapar, porque não temos consciência de estarmos presos” (p. 56)

Outro trecho para os que buscam a perfeição pelo esporte:

Antes de praticar esporte, antes de fazer expressão corporal, antes de interpretar os gestos do outro, antes de se considerar “fracassado” face ao comportamento dos próprios filhos, antes de empreender uma análise, antes de conformar-se com os problemas sexuais (…) … há um trabalho preliminar a fazer: a tomada de consciência do corpo” (p. 106)

De acordo com o livro, o método não é amplamente divulgado porque: “incluí-los nos programas tradicionais significaria que estes seriam derrubados, exigiria uma total revisão tanto dos programas como da visão do ser humano sobre a qual se apóiam. Mas para ver ou rever é preciso abrir os olhos; é preciso ter coragem de observar o corpo como totalidade, mesmo se essa observação contradiz verdades sacrossantas. E é exatamente isso que as “autoridades”, os especialistas, não estão dispostos a fazer. Então, a única esperança de que um maior número de pessoas possa aproveitar do trabalho de Françoise Mézières é através da informação direta dessa descoberta que qualquer pessoa – até mesmo um profissional – pode verificar com os próprios olhos, com a experiência do próprio corpo” (p. 115).

Sobre a acupuntura como medicina preventiva:

“Desde sempre a acupuntura foi a medicina preventiva por excelência. Os mandarins da antiga China pagavam o médico para que lhes conservasse a saúde e deixavam de pagar assim que ficavam doentes” (p. 149).

O livro é pesado, um soco no estômago. Vale a pena, mas dói no corpo todo.

14

abr

2011

Descobrindo como se respira

Por Tati Aoki – 4 Comentários

Passei ao menos 20 anos de minha vida sem saber respirar direito. Agora, onde quer que eu vá, presto muita atenção à função respiratória. Depois que descobri que preciso sentir minha respiração, aprendi a entender minhas funções biológicas de uma forma mais real e clara.

Quando respiro profundamente, as funções ficam mais lentas e, por consequência, me acalmo. Por isso, o conceito de tempo acaba mudando: acredito não no tempo cronológico, ditado pelos homens, e sim no tempo subjetivo, o nosso, o da natureza. Tudo fica tão, mas tão mais lento, que parece que estamos vivendo como naquele clipe das Spice Girls, Two Become One, ou no filme Matrix. São referências pop chiclete, porém mostram bem como me sinto ultimamente.

Almocei no bandejão da USP e não consigo recordar quantas pessoas se levantaram e sentaram ao meu lado. E eu lá, também sem ter a menor noção de quanto tempo fiquei à mesa.

Qual o tempo dos homens, que se acelera a cada dia? E qual é o tempo real?