Posts da categoria ‘Corpo’

15

fev

2012

Desintoxicando a mente e o corpo

Por Tati Aoki – Comente

Máquina de escrever: cena de Adaptação, com Nicolas Cage

Fiz um post para o blog, mas o assunto era o mesmo do anterior. Se estivesse em uma máquina de escrever, teria arrancado a folha, amassado e jogado no cesto já lotado de papéis. É, o mundo era mais concreto há alguns anos. Hoje, simplesmente continuei a escrever nas linhas de baixo do Word.

Lembro do filme “Adaptação”, em que Nicola Cage tem que escrever um roteiro, mas suas preocupações mentais o impedem de fazê-lo. O filme é interessante porque mostra que, quando se tem que usar todas as capacidades mentais, se a mesma não estiver 100%, simplesmente não sairá nada decente.

E o corpo físico? Quando ele não está 100%, o corpo se adapta do jeito que dá, e surgem nossas dores físicas, dores musculares, nos ombros, pescoço, torções e tudo o mais. Você está todo torto enquanto lê este post? Ou faz como eu, que tem a mania de ficar com a mão esquerda no queixo enquanto a direita fica scrollando o mouse?

Penso que a única forma de livrar-se das preocupações mentais é um programa de desintoxicação do corpo, da mente e das emoções. Recomendo o livro (cujo nome é o título do post) que me deu o diagnóstico impreciso de intoxicação mental – da autora Jane Alexander. Se não estiver a fim de beber todas no carnaval, o programa dado por ela pode ser uma alternativa para começar o ano – vamos confessar que, no Brasil, o ano só começa depois do Carnaval.

Bom feriado!

7

fev

2012

Domar o tigre interior

Por Tati Aoki – 2 Comentários

Tento estudar em uma biblioteca sem ventilador, sob um calor de 35 graus. A concentração torna-se impossível, me irrito com qualquer barulho, e virar a página do livro é angustiante, tamanha a quantidade de pensamentos que rondam a minha cabeça – não só a distração causada pelo calor, mas das contradições do cotidiano.

Quando se estuda, qualquer perturbação mental impede que se tenha apreensão do conhecimento. Logo, notando que não conseguiria dar continuidade ao livro, fecho-o, desanimada com meu próprio fracasso.

Em casa, leio o seguinte trecho no livro “Por uma vida mais bela”: “a alegria indestrutível é própria de quem conseguiu vencer o tigre interior, sem se deixar levar pelas emoções.”

O que é o tigre interior? É aquele que te tira o sono, te abala aos acontecimentos que não correspondem às suas expectativas. Você tem que domá-lo, com a…Disciplina.

A preguiça é inimiga da disciplina. Mas a tensão em excesso também não segura o tigre que habita dentro de todos nós.

Como domar o tigre? Pelo caminho do meio – o mais difícil, porém o mais tranquilo de se seguir. Resumindo: pode-se deixar levar pela preguiça, mas ela não pode te dominar. Assim como a tensão existe e é razoável, mas, em excesso, arrebenta o fio que te equilibrava.

30

jan

2012

O que é o amor?

Por Tati Aoki – Comente

Estou lendo sobre isso no livro “Rodas da Vida”, de Anodea Judith. O livro fala sobre conexão corpo/mente por meio dos chacras ou pontos energéticos. E o quarto chacra é o do amor, que fica, claro, no coração.

São dezenas de páginas dedicadas a exercícios que ativam o chacra, como os de respiração. Em essência, isso significa que o quarto chacra é uma das principais comunicações com o mundo externo, isto é, é a troca de ar e de sentimentos com o outro.

Porém…O que é o amor? A indústria cultural nos remete ao amor apaixonado entre duas pessoas, romântico e tal. Mas será que é isso mesmo? E o amor a uma causa, amor-próprio, amor aos amigos e, por que não, ao seu trabalho? Eles também existem e devem ser lembrados.

Penso que o amor é uma das maiores forças do ser humano, por isso a famosa frase “Deus é amor.” Por amor a gente perde o medo, o sono, sente uma força inesgotável, mas que dificilmente ultrapassa o limite do corpo físico. Ou seja, o amor pleno é incondicional, quase onipotente, mas sabe os limites. É equilibrado – o corpo e mente em conexão plena. Quando isso não ocorre, cuidado – provavelmente é a cilada da paixão: volátil, atraente e perigosa como o fogo.

Mesmo lendo em diversos dicionários o termo “amor”, o significado continua um mistério -  tanto pelo uso inapropriado por parte de segmentos da indústria cultural (principalmente cinema, músicas e novelas), quanto pela confusão generalizada entre amor e paixão.

A paixão pode trazer infelicidade aos outros. O amor, não.

22

jan

2012

Um corpo que cai

Por Tati Aoki – 3 Comentários

Olhando bolsas de estudo de mestrado, leio editais e mais editais ao longo de um sábado à noite. À medida que leio os regulamentos frustrantes – só bolsas para doutorados, áreas de exatas e biológicas, bolsas para o exterior – vou automaticamente afundando na cadeira de escritório ergonômica e entortando minha coluna vertebral até sentir-me um amontoado de pele, músculos e ossos.

Nosso corpo físico é uma resposta automática da nossa atitude mental. E é aí que eu, uma árdua usuária de minha capacidade cerebral, digo que há uma superestimação da mente, que acaba prejudicando o corpo. O que o seu corpo tem a ver com o fato de que sua mente sofre? Claro, é um corpo só, mas a mente, o cérebro, o controlador, acaba modificando nossas atitudes corporais conforme a mente.

Quando ficamos tristes, o olhar abaixa, perde o brilho. Se desanimamos, os ombros caem e ficamos cabisbaixos.

Como seria se nossas emoções e nossa mente não interferissem no nosso corpo? Provavelmente não teríamos distúrbios alimentares, pessoas caminhando com os pés pra dentro, problemas de coluna. Mas não seríamos humanos, e sim, animais.

O equilíbrio é a consonância com nossos sentidos animais e os humanos, estes, considerados mais elevados. E esse equilíbrio nos falta, na micro instância, com o nosso corpo. Não conhecemos o corpo que habitamos.

Que dirá o equilíbrio com o macro, ou seja, nossas relações entre humanos e o ambiente?  Até quando vamos superestimar o cerebral, o mental, o “querer”, e não sentir que há uma instância maior, a incontrolável natureza, que sempre nos arrebata quando menos esperamos?

Quando a natureza nos pega, só nos restará chorar e nos render.

You know, it’s going to get harder, and harder, and harder
As you get older

Dogs – Pink Floyd

14

dez

2011

A voz da maturidade

Por Tati Aoki – 4 Comentários

Fui a uma festinha de confraternização do local em que faço pilates, no meio da tarde. E, entre cerca de 40 pessoas, eu era a única dos alunos com menos de 60 anos.

“Os mais jovens estão na academia”, disse uma das alunas, com seus mais de 70 anos.

Não desmerecendo a academia, afinal, já fiz esteira por alguns meses e até que não foi tão chato assim, mas…Será que seu corpo-mente aguenta, por muitos, muito anos, fazer movimentos mecanizados em aparelhos que mais parecem instrumentos de tortura?

Embora “os jovens” estejam suando em esteiras e academias, a verdade é que os mais velhos têm muito a nos ensinar – e um desses ensinamentos é que, nem sempre, os movimentos vigorosos são os que te farão sentir prazer em atividades físicas. Às vezes, movimentos leves, porém precisos e prazerosos, são os que te darão motivação para exercitar-se independente da faixa etária.

Se me senti excluída no meio de pessoas bem mais velhas em uma festa que só conhecia o professor? Pior que não, porque os idosos (assim como as crianças), têm a tendência a eliminar o tal do ego e, por isso, não têm o menor pudor em puxar papo e falar de qualquer assunto com uma leveza sobrenatural – ao contrário de jovens, adolescentes e adultos, mais influenciáveis pelo que “os outros” irão pensar.

Temos que aprender com a sabedoria e a experiência do idoso. Eu não tenho mais avós, mas, se tivesse, não perderia a oportunidade de longas conversas com a voz da maturidade.